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Preço do Níquel Atinge Maior Alta do Ano e Pressiona Custos do Aço Inox

IL
Por Gabriel Santos 2026-03-25
Lingotes de níquel empilhados em armazém industrial com gráfico de alta do mercado ao fundo

O preço do níquel na London Metal Exchange (LME) acumula alta de 12% em março de 2026, impactando diretamente o custo das ligas austeníticas como o 304 e 316. Entenda as causas e como a indústria está reagindo.

Níquel em Alta: O Que Está Por Trás da Valorização

O níquel, um dos principais componentes das ligas de aço inoxidável austenítico, atingiu a cotação de US$ 17.850 por tonelada na London Metal Exchange (LME) nesta última semana de março de 2026 — a maior cotação do ano, acumulando uma alta de aproximadamente 12% em apenas três semanas.

A pressão sobre os preços é atribuída a uma combinação de fatores geopolíticos e de mercado que vêm se desenhando desde o início do ano.

Fatores que Impulsionam a Alta

  • Restrições de Exportação da Indonésia: O principal produtor mundial de níquel voltou a endurecer cotas de exportação de minério bruto, priorizando o processamento doméstico e reduzindo a oferta global do metal.
  • Demanda Aquecida por Baterias de VE: A corrida global por veículos elétricos mantém a demanda por níquel de alta pureza (Classe 1) em patamares recordes, concorrendo diretamente com a siderurgia pela matéria-prima.
  • Estoques Baixos na LME: Os estoques de níquel nos armazéns da LME caíram para cerca de 38.000 toneladas, o menor nível desde o segundo semestre de 2024, sinalizando um possível déficit de oferta.

Impacto Direto na Cadeia do Aço Inox

Para distribuidores e consumidores finais de aço inoxidável, a alta do níquel se traduz em reajustes nos preços das chapas, bobinas e tubos das séries 300 (304, 304L, 316 e 316L), que possuem entre 8% e 14% de níquel em sua composição.

Analistas do setor estimam que os extras de liga — a parcela do preço que varia conforme o custo das matérias-primas — devem subir entre 5% e 8% nas tabelas de abril das principais usinas e distribuidoras do Brasil.

Alternativas e Estratégias do Mercado

Com a pressão de custos, algumas tendências se intensificam no mercado brasileiro:

  • Migração para a Série 400: Ligas ferríticas como o 430 e o 441, que não contêm níquel, ganham espaço em aplicações decorativas, eletrodomésticos e coberturas onde a resistência à corrosão exigida é moderada.
  • Ligas Duplex como Alternativa: Aços duplex como o 2205, que utilizam menos níquel (~5%) mas oferecem resistência mecânica e à corrosão comparáveis ao 316, atraem atenção para aplicações petroquímicas e navais.
  • Negociação Antecipada: Distribuidores recomendam aos clientes industriais o travamento de preços e a antecipação de pedidos para mitigar os reajustes previstos para o segundo trimestre.

Perspectivas para o Segundo Trimestre

Especialistas da consultoria CRU Group preveem que, caso as restrições indonésias se mantenham e a demanda por baterias continue aquecida, o níquel pode testar a barreira dos US$ 19.000/tonelada até maio de 2026. Para o mercado de aço inox brasileiro, isso significa manter o planejamento de compras afiado e considerar seriamente alternativas de liga quando a aplicação permitir.